Um esporte de caneladas


 

Um esporte de caneladas. Essa é a forma que muitos definem a arte marcial conhecida como Muay Thai, uma espécie de extensão do boxe (Kickboxing), na qual também se usam as pernas no combate, como forma eficaz de derrotar o oponente. A arte surgiu na Tailândia, e vem de mais de dois mil anos de existência.

Criada para defender o povo Tailandês de invasões Birmanesas e outras, a arte permitiu que o país nunca fosse devidamente invadido, graças à suas caneladas mortais. Depois de muito aprimoramento, o Muay Thai se consolidou como um esporte mundialmente conhecido e uma das artes marciais mais letais, tendo em vista que os tailandeses eram invadidos por tropas armadas até os dentes, enquanto estes só tinham suas canelas para se defender, portanto se não acabassem com o inimigo no primeiro golpe, sairiam no prejuízo.

Até que as tal caneladas foram se espalhando por ai, e chegaram até Petrópolis. Muitos centros de luta foram se formando, e o público crescendo. A arte passou a ser vista como um esporte competitivo, como qualquer outro. A genética caneleira foi passando de mestre em mestre, até chegar em Rodrigo Carnevali, treinador de Muay Thai do Centro de Lutas Pró-Training, localizado no centro da cidade.

Carnevali é da categoria “meio-pesado”, e já tem em sua bagagem o Campeonato Interestadual Andradas/MG (/12/12/09), e o Vice Campeonato Interestadual Vitória/ES (30/11/08). Como treinador, conseguiu três títulos no interestadual de Minas, com seus alunos Gilberto da Silva da categoria “médio”, que se sagrou campeão, Lucas Rodrigues vice campeão da categoria “médio-ligeiro” e Michel da Silva, vice campeão da categoria “pesado”. (confira o video do treinamento do caçula da equipe).

Porém, apesar de toda eficácia no quesito derrubar o oponente, a arte, por incrível que pareça, serve para disciplinar o indivíduo. As aulas não são direcionadas para brigas fora do centro de lutas, apesar de se tratarem de uma defesa pessoal. Muitos vêem o Muay Thai e suas caneladas como uma forma até de relaxamento e também, uma forma de se manter a melhor forma física, tão procurada nos dias de hoje. Assim pensa a aluna Maria Sylvia, de 26 anos, que procurou o esporte por questões físicas: “Eu estava muito tempo parada, precisava de uma atividade física, e um amigo me convidou, no começo eu não quis, não achei que fosse esporte para mulheres, mas depois fui gostando. Estou há mais de 2 anos praticando, e em um mês já senti uma grande diferença na forma física.”- ponderou.

Já para o aluno Eric Salgueiro, 20, a arte tem que estar voltada mais para o aspecto competitivo, sempre pensando grande: “ Minha intenção vai muito além de aspectos físicos, gosto mais da luta em si, pretendo erguer troféis, ir longe.” – afirmou o futuro atleta.

Uma das barreiras até então para a consolidação real do esporte na cidade, é a falta de investimento, e não só o Muay Thai sofre neste aspecto. Infelizmente esta é uma realidade nos esportes petropolitanos, que contam com grandes atletas de renome até mundial em diversas modalidades esportivas. O “Thai” ainda carece de um projeto sólido que possa dar oportunidades a mais lutadores, que geralmente acabam procurando sua profissionalização fora daqui. (confira entrevista exclusiva em áudio com Rodrigo Carnevali, contando mais um pouco do esporte e sua trajetória).

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